Músicas brasileiras que voltaram a ter sucesso nas vozes de outros artistas

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Músicas brasileiras que voltaram a ter sucesso nas vozes de outros artistas


Covers são sempre aventuras arriscadas.

Muitas vezes os artistas querem prestar homenagens às suas bandas favoritas e o fazem ao vivo, ou com um lado B, algo passageiro que não necessariamente se torna lançamento oficial. Em outras ocasiões, porém, a ideia é trabalhar aquela versão como single, e em muitas dessas homenagens o resultado é arrebatador.

É justamente o caso com as músicas que listaremos aqui na sequência, onde covers de músicas brasileiras foram gravadas anos depois e se tornaram canções de destaque nas carreiras das bandas e artistas que idealizaram as novas roupagens. Tem Skank tocando Gilberto Gil, Titãs em bela versão de Roberto e Erasmo Carlos. Divirta-se!

“Vamos Fugir” – Skank (originalmente por Gilberto Gil)

A banda mineira Skank já fazia sucesso no Brasil há um bom tempo quando veio esta versão. Lançado em 2004, o álbum Radiola contava com hits já famosos do grupo, como “Vou Deixar” e “Dois Rios“. Uma das canções novas foi uma versão para “Vamos Fugir“, composta por Liminha e Gilberto Gil, lançada originalmente 20 anos antes, em 1984, no álbum Raça Humana. A versão se tornou um dos maiores sucessos do grupo, e uma das canções mais pedidas nas rádios na época. A banda acrescentou uma pegada mais pop rock ao reggae da versão original.

“Dê Um Rolê” – Pitty (originalmente por Novos Baianos)

A cantora baiana Pitty manda muito bem quando o assunto é regravar canções. Foi o que aconteceu com “Dê Um Rolê“, música lançada como single pelo grupo Novos Baianos em 1971. Na nova versão, percebemos um tom mais pesado do que na original, com a presença evidente de guitarras distorcidas. A faixa ganhou status popular novamente na voz de Pitty ao servir como tema de abertura para a novela “Rock Story”, exibida pela Rede Globo entre 2016 e 2017. Mas a inspiração de Pitty na música dos anos 70 ficou evidente também em outra cover. Dessa vez homenageando a paulista Rita Lee, a cantora regravou a canção “Agora Só Falta Você“, lançada originalmente em 1975. Uma atmosfera mais pesada caracteriza essa nova versão, com direito a belos solos de guitarra.

“É Preciso Saber Viver” – Titãs (originalmente por Roberto e Erasmo Carlos)

Roberto e Erasmo Carlos são basicamente o “Batman e Robin” da música brasileira. Uma carreira de sucesso, de hits, e comandantes de uma revolução musical que o Brasil viveu a partir dos anos 50. Entre as várias composições, temos essa, “É Preciso Saber Viver“, que muita gente também conhece pela versão da banda Titãs, na voz de Paulo Miklos.

A primeiríssima gravação da composição da dupla pertence à banda Os Vips, e a versão entrou para a trilha sonora do filme “Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa“, de 1970. O próprio Roberto gravou a canção pouco depois, em seu álbum homônimo de 1974. A partir daí a música ganharia mais visibilidade. A versão do Titãs veio em bom tempo, explodindo nas rádios em 1998 com seu som orquestrado e seus solos de guitarra. A faixa integraria o álbum Volume Dois, e, sendo lançada como single, ganhou até um belo videoclipe.

Uma curiosidade sobre a canção é que ela foi baseada em “It’s Over“, canção de Jimmi Rodgers que ficou famosa na voz de Elvis Presley em 1973.

“Amor, Meu Grande Amor” – Barão Vermelho (originalmente por Angela Rô Rô)

A banda Barão Vermelho lançou em 1996 o disco Álbum, décimo do grupo. O lançamento, no entanto, não contava com quaisquer músicas novas ou versões atualizadas de canções já lançadas, sendo restrito a 11 covers. Os artistas homenageados vão desde Cazuza até Luiz Melodia. Uma dessas covers é do maior sucesso da cantora de MPB Ângela Rô Rô, a romântica “Amor, Meu Grande Amor“. Composta por Ângela e Ana Terra (que já compôs para nomes como Milton Nascimento e Elis Regina), a canção foi lançada originalmente em seu álbum de estreia, homônimo, em 1979. A voz de Frejat deu uma nova roupagem à música que, com sua linguagem atemporal, continuou atual mesmo após quase 20 anos.

“Por Enquanto” – Cássia Eller (originalmente por Legião Urbana)

As letras de Renato Russo o levaram ao status de poeta. Se mostram simbólicas para toda uma geração e têm muita força no cancioneiro popular. Isso ficou evidente logo em 1985, com o lançamento do álbum de estreia da banda Legião Urbana. Misturando letras que criticam o sistema com letras românticas e reflexivas, o álbum alavancou a carreira do grupo. No entanto, sucessos comerciais como “Geração Coca-Cola“, “Será” e “Ainda É Cedo” talvez tenham ofuscado outra canção bela com enorme potencial, “Por Enquanto“.

O potencial dessa incrível letra e melodia seria comprovado pela cantora Cássia Eller. Uma fita demo, contendo uma versão acústica dessa canção na voz da cantora, foi o que teria provado seu valor para a gravadora PolyGram, que a contratou logo em seguida, em 1989. A faixa, no ano seguinte, faria parte do disco de estreia de Cássia. Sua voz imortalizou os versos da música.

 

“Vapor Barato” – O Rappa (originalmente por Gal Costa)

O ano era 1971. Gal Costa lançaria uma das músicas mais importantes de sua carreira. Composta por Jards Macalé e Waly Salomão, “Vapor Barato” seria uma das canções nacionais mais famosas da década. 25 anos depois, a música surge novamente nas rádios brasileiras. Os culpados por isso? A banda carioca O Rappa. Na época, o grupo lançou seu segundo álbum de estúdio, Rappa Mundi, com algumas das músicas mais famosas do grupo nos dias de hoje. Com direito a clipe, a regravação conta com uma roupagem típica do grupo, mesclando regggae, rock e hip-hop. É interessante comparar com a original, que tem um clima bem mais “para baixo”.

“Vida Louca Vida” – Cazuza (originalmente por Lobão)

Cazuza foi de fato um dos maiores compositores da música brasileira. E isso fica evidente não apenas na sua passagem pelo Barão Vermelho, como também em sua carreira solo. Seu quarto álbum solo, O Tempo Não Pára, é uma prova disso. Sendo o último registro ao vivo do cantor, o álbum, gravado no Rio de Janeiro em 1988, conta com sucessos que ficaram marcados por sua voz ao longo dos últimos anos. Mas também inclui uma música que não fazia parte de seu repertório até então: “Vida Louca Vida“.

Originalmente lançada pelo cantor Lobão em seu terceiro álbum solo, Vida Bandida, a música se tornou o maior sucesso do trabalho. Tal como a maioria do álbum, foi lançada em 1987, e composta em parceria com Bernardo Vilhena, que também contribuiu para a criação de hits para nomes conhecidos da época, como Cláudio Zoli e Richie. Na versão de Cazuza, a canção ganhou um ar mais calmo e reflexivo se comparada à versão original, que tem uma pegada alternativa/new wave.

Desse jeito fica difícil apontar uma versão favorita!

Fonte: Tenho Mais Discos Que Amigos

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