Revelações do funk e do pop, MC Rita, MC Cabelinho, Donas e Funtastic fazem fama na internet

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Revelações do funk e do pop, MC Rita, MC Cabelinho, Donas e Funtastic fazem fama na internet


O funk não é só privilégio do Rio de Janeiro: é feito e ecoa por todo o Brasil. Um artista de talento e uma música com potencial de virar hit não dependem mais apenas do patrocínio das gravadoras para se tornarem sucesso. Agora (e já há um bom tempo) é assim: caiu na rede, ganhou o mundo.

A paulista MC Rita, o carioca MC Cabelinho, a gay band Funtastic e o trio de negras poderosas Donas têm na internet a sua mola propulsora. Em pouco tempo de carreira, arrebataram milhares de seguidores nas redes sociais e visualizações de vídeos para seus singles. Conheça mais desses artistas, cujas histórias de vida e carreira muito têm a ver com a de Jojo Todynho, a garota da periferia que derrubou preconceitos e ultrapassou fronteiras.

 

MC Rita: repaginada no visual e na vida

Há dez meses, um vídeo caseiro de Rita de Cassia da Silva Nascimento cantando “Dedo no gatilho” e “Cavaco chorão” caiu na internet, e a vida da garota de 18 anos sofreu uma verdadeira reviravolta.

— Fui apresentada por uma amiga a um compositor, que passou algumas músicas dele para eu cantar. Ele ficou impressionado, me gravou e postou no Facebook. O vídeo viralizou, com milhares de visualizações. E assim tudo começou — relembra a cantora, agora reconhecida como MC Rita.

De São Vicente, cidade do litoral de São Paulo, a moça começou a soltar a voz aos 10 anos, na igreja evangélica que frequentava. Mas, aos 14, teve que deixar de ir aos cultos, para cuidar dos quatro irmãos mais novos:

— Meu pai era usuário de drogas e abandonou minha família. Não foi uma infância fácil… Nós não tínhamos recursos, e cheguei a pedir comida de porta em porta.

Recentemente, ela deu novo impulso à carreira com a canção pop-romântica “Amor de verdade”, em parceria com MC Kekel (já são mais de 190 milhões de visualizações do clipe no YouTube). E, de visual repaginado (“Antes, eu não me ligava nisso porque não tinha condições financeiras, mas hoje cuido muito do meu cabelo e das unhas”, explica), é constantemente comparada a Ludmilla.

— Sempre a admirei. Mulher, negra, conquistando seu espaço… Sigo quase a mesma linha de trabalho dela, com letras leves, divertidas, românticas. É a vertente que gosto — afirma MC Rita, fã do pagodeiro Ferrugem e da cantora gospel Bruna Karla.

Ela diz que tem feito de 15 a 20 shows por mês:

— A primeira coisa que comprei com meu cachê foi um celular. Mas já consegui meu apartamento, um carro, e tenho roupas boas agora (risos). Ainda quero realizar os sonhos da minha mãe, que é minha maior inspiração.

 

MC Cabelinho: elétrico até no penteado

“Todo artista precisa de um recalcado por perto para se motivar. Se você ouve só elogio, se acomoda. Eu venci por causa de gente que não acreditou em mim”, afirma Victor Hugo Oliveira do Nascimento, mais conhecido como MC Cabelinho por causa do penteado arrepiado. Cria do Pavão-Pavãozinho, comunidade da Zona Sul do Rio, o funkeiro de 22 anos desponta como revelação do estilo, com o aval de gente renomada.

— Ele mistura o funk antigo com o atual. Me impressiona como um moleque tão novo compõe tão bem. Vai explodir — atesta MC Marcinho.

Mr. Catra, cuja expressão “Tá ligado?” a cada fim de frase é repetida pelo rapaz, enfatiza o gosto musical eclético de MC Cabelinho e sua postura:

— Ele curte MPB, rock, rap, sertanejo… E se preocupa em manter a ligação com a comunidade através do seu discurso e de sua atitude. Ganhou meu respeito e minha admiração!

Autor de composições como “Avisa lá que o morrão tá lindo”, “Zona Sul”, “Voz do coração”, “Vamos fugir” e “Que maravilha” — essas duas últimas, é bom frisar, nada têm a ver com os clássicos de Gilberto Gil e Jorge Ben Jor —, o carioca gosta de misturar funk com rap; tem como ídolos Amy Winehouse (“Já viajei pra Londres só para tirar foto com a estátua dela”, entrega) e MC Orelha; e afirma que sua maior fonte de criatividade é o cotidiano.

— Por isso, sinto falta da favela. A vida lá me inspirava — conta ele, que levou a mãe para morar em Laranjeiras: — Mas estou sempre lá na comunidade para rever os amigos.

Com cerca de 40 shows/mês na agenda (“Faço cinco por noite”, conta), Cabelinho viaja acompanhado de fotógrafo, DJ e segurança, e tem cachê que varia dos R$ 5 mil aos R$ 12 mil.

— Nasci para cantar. Nunca aprendi a jogar bola nem a dançar — encerra ele.

 

Funtastic: um pop supercolorido

O nome do grupo define bem a proposta: Funtastic é uma mistura de diversão (“fun”, em inglês) e fantasia. O quarteto formado pelos cariocas Edson Damazzo (Bibiu), de 30 anos; Jhury Nascimento, de 22; Lucas Oliveira, de 24; e Thiago Basseto, de 21, todos do Rio, também se apresenta como “a primeira gay band do Brasil”. Dançarinos das cantoras Anitta, Ludmilla, Valesca e Pabllo Vittar, os rapazes se reuniram para assumir sua própria carreira artística.

— A princípio, nossa ideia não era cantar. Queríamos realizar performances. Mas os caminhos levaram a colocar a voz pra jogo também. Afinal, artista tem que saber fazer um pouco de tudo, né? — conta Jhury.

“Balança a raba” é a primeira canção do grupo, que tem seguidores dos 8 aos 80 e já tem fã-clube.

— Não nos dirigimos só ao público gay. Fomos o tema de aniversário de 4 anos de uma menininha de Bangu (bairro da Zona Oeste do Rio). Senhoras nos param nas ruas para contar que fazem ginástica ao som da nossa música, que é animada — conta Bibiu.

Em fase de ensaios para sua estreia nos palcos, eles vislumbram não um show, mas um espetáculo, com três trocas de figurino, no mínimo. Bem colorido e impactante.

— Em breve, lançaremos nossa segunda música, “Não vou parar”, um feat com Ludmilla — anuncia Jhury.

 

Donas: mistura boa que faz suar

O destino conspirou e reuniu três talentosas e belas Anas, todas com 20 anos de idade: Ana Carolina Moura (Karol), de Vargem Grande; Ana Caroline Santiago (Ana), de Madureira; e Ana Paula Angelina (Lanôr), do Jacarezinho. Há 1 ano e 3 meses essas garotas cariocas-suingue-sangue bom formam a girl band Donas.

— Quando a gente se reúne para compor, rola uma mistura que dá certo. Eu tenho a pegada chicletinho do pop, enquanto a Ana contribuiu com uma inspiração mais poética da MPB e a Lanôr pende para o rap. Temos gostos diferentes e nos completamos — explica Karol.

“Suar”, com uma batida dançante e envolvente, é seu primeiro single, com clipe rodado em Madureira — em qautro meses no ar, o vídeo chega a quase 800 mil visualizações.

— Foram 28 horas de gravação, mais que um dia inteiro. Saímos exaustas, mas valeu! Foi tudo feito de coração. Não teve um cenário montado, usamos a rua como ela é. A gente dançava e suava muito, os camelôs ofereciam água… — lembra Karol, anunciando a nova empreitada: — No fim deste mês, gravamos nosso segundo clipe, da canção “Dois trabalhos”, entre Marechal Hermes e Deodoro.

Além do Rio, o trio black de personalidade tem um público forte na Bahiae em São Paulo.

— Os gays piram, a gente usa muita cor. A criançada da vizinhança liga o som alto na minha porta para fazer coreografias — acha graça a moradora da Zona Oeste, reconhecida com frequência nos BRTs: — Rolam uns olhares, cochichos, já me pediram até foto. A sensação é muito gostosa!

Fonte: Extra

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